
Este artigo explora o ensinamento de São João da Cruz sobre a necessidade de a alma se privar de todos os apetites, grandes ou pequenos, para alcançar a união perfeita com Deus. Baseado em passagens bíblicas e no Catecismo da Igreja Católica, o texto aborda a importância da mortificação dos desejos voluntários, a distinção entre pecados mortais e veniais, e o desapego das imperfeições habituais para atingir a santidade e a perfeição espiritual.
A pregação baseada no capítulo 11 do livro "A Subida do Monte Carmelo", de São João da Cruz, aborda um tema fundamental para a vida espiritual: a necessidade de a alma se privar de todos os apetites, por menores que sejam, para alcançar a união perfeita com Deus. Esta união é comparada à subida ao topo do Monte Carmelo, onde se encontra o estado de perfeição.
São João da Cruz enfatiza que para chegar à santidade e à união divina, não podemos obedecer aos nossos apetites desordenados. A Bíblia reforça essa ideia, como em Romanos 6:12: "Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais a seus apetites." Isso significa que devemos nos privar dos apetites que nos afastam de Deus.
Colossenses 3:2 também orienta: "Afeiçoe-vos as coisas lá de cima e não as da terra." Isso não significa privação total, mas sim rejeitar os apetites desordenados que nos desviam da vontade divina.
Romanos 13:11-14 nos chama a despertar do sono da fé e da mediocridade espiritual, despojando-nos das obras das trevas e revestindo-nos das armas da luz. São João da Cruz reforça que a alma deve se privar de todos os apetites voluntários, mesmo os mínimos, para não ser impedida de alcançar a união com Deus.
Nem todos os apetites são igualmente prejudiciais, mas todos devem ser mortificados. A distinção entre pecados mortais e veniais é fundamental:
O Catecismo da Igreja Católica é uma fonte importante para entender essa distinção.
São João da Cruz diferencia entre apetites naturais, que podem surgir sem consentimento e não impedem a união com Deus, e apetites voluntários, que são conscientes e devem ser mortificados. Pensamentos ou sentimentos ruins que surgem sem consentimento não são pecado, mas consentir neles é.
Gálatas 5:19-21 lista as obras da carne, como fornicação, impureza, ciúmes, ódio, entre outros. Embora a carne possa desejar essas coisas, a alma racional deve permanecer livre e não se render a esses apetites.
A verdadeira santidade é a transformação da vontade humana para que ela se una à vontade de Deus. João 6:38 diz: "Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." A união com Deus implica que a vontade da alma seja uma só com a vontade divina.
Marcos 10:21-22 relata o jovem rico que observava os mandamentos, mas ainda assim Jesus lhe disse que faltava uma coisa: vender tudo e seguir a Cristo. Isso ilustra que a perfeição exige desapego total dos bens materiais e dos apegos da alma.
Além dos pecados mortais e veniais, existem imperfeições habituais, como o costume de falar muito, apego a objetos, pessoas ou hábitos. Embora menores, esses apegos impedem o progresso na perfeição e devem ser vencidos.
Provérbios 10:19 adverte que "no muito falar não faltará pecado", indicando a necessidade de moderação e prudência nas palavras.
Jesus não obriga ninguém a segui-lo; a decisão é livre. Quem deseja a santidade deve renunciar à própria vontade e alinhar-se à vontade de Deus, mesmo que isso exija esforço e renúncia.
São João da Cruz nos convida a uma vida de profunda mortificação dos apetites voluntários, sejam eles grandes ou pequenos, para alcançar a união perfeita com Deus. Essa união implica uma transformação total da vontade, desapego dos bens materiais e das imperfeições habituais, e uma luta constante contra os desejos da carne. Embora o caminho seja exigente, é um convite à verdadeira liberdade e santidade, fundamentado na graça divina e na palavra de Deus.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.
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